Palestra “Entre o Servir e o Cuidar” marca abertura da 2ª Semana Viva Mulher no TRE do Ceará
Iniciativa da Comissão de Participação Feminina (CPFem), da Assessoria de Atenção à Saúde e à Qualidade de Vida (ASAUD) e da Ouvidoria da Mulher (OM) do TRE-CE

Numa iniciativa do Tribunal Regional Eleitoral do Ceará, através de suas unidades Comissão de Participação Feminina (CPFem), Assessoria de Atenção à Saúde e à Qualidade de Vida (ASAUD) e Ouvidoria da Mulher (OM), foi aberta, na manhã de segunda-feira, 9 de março, a 2ª Semana Viva Mulher.
Confira os registros oficiais do evento
A abertura do evento contou com as presenças da presidente do TRE do Ceará, desembargadora Maria Iraneide Moura Silva; da presidente da CPFem e juíza da 41ª Zona Eleitoral, Gabriela Carvalho; da juíza ouvidora da Mulher do TRE do Ceará, Valéria Carneiro; da coordenadora da Escola Judiciária Eleitoral do Ceará (EJEC), Roberta Laena; da servidora Rita de Cássia Brígido Feitosa; da chefe da Seção de Controle de Frequências e Requisições (SECOF), Ingrid Eduardo; e da palestrante e pesquisadora sobre o tema da participação feminina e coordenadora do Grupo de Pesquisa (CNPq): Mulheres e Democracia, Denise Almeida Andrade.

Na abertura, a violinista Rejane Cortez executou a canção “Mulher Brasileira”, do compositor fluminense Benito di Paula. Em seguida, a desembargadora Maria Iraneide, após saudar as demais componentes da mesa, destacou a importância do momento de reflexão sobre o tema “servir e cuidar” e a trajetória da mulher no serviço público.
Observou a magistrada que ainda hoje convivemos com os problemas do machismo estrutural, da violência e do feminicídio. “Precisamos da mão amiga do homem nesta luta”, afirmou, referindo-se à necessidade de participação masculina nos debates sobre essas questões.

Por fim, a presidente do TRE do Ceará fez referência a uma frase da poetisa goiana Cora Coralina, “Eu sou aquela mulher que escalou a montanha, removendo pedras e plantando flores”, concluindo suas palavras.
Logo depois, falou a juíza Gabriela Carvalho, presidente da CPFem, que apresentou, em breves palavras, os objetivos do colegiado. “A Comissão tem um desafio muito grande, pois nossa principal discussão é sobre esse dever de cuidado com a mulher, que se desdobra em diferentes jornadas”. Enfatizou a necessidade de se conversar sobre a possibilidade de conciliar o dever social de cuidar e da participação da mulher como servidora pública.
Em seguida, a juíza Valéria Carneiro referiu-se à importância do debate também aos homens, lembrando que estavam presentes ao evento o ouvidor regional eleitoral, desembargador José Cavalcante Júnior, e o juiz auxiliar da Presidência, Alisson Simeão.
A servidora Rita de Cássia fez um breve histórico das mulheres pioneiras no serviço público brasileiro, como Joana França Stockmeyer e Maria José de Castro Rebelo Mendes (esta última, a primeira concursada, como diplomata), e homenageando também a primeira juíza de direito do Ceará e do Brasil, Auri Moura Costa, nascida em Redenção, que foi a primeira desembargadora a presidir o TRE cearense. “Ela foi pioneira na luta pela igualdade de gênero no serviço público brasileiro”, disse Rita, que, ao final de suas palavras, destacou que “nós não somos silêncio. Somos voz! Que sejamos inspiração para as gerações vindouras”.
A palestrante Denise Almeida Andrade discorreu em seguida sobre o tema “Corresponsabilidade parental e igualdade de gênero”, referindo-se a questões como a maternidade e a condição da mulher nesse contexto, a ressignificação dos papéis do homem e da mulher no projeto parental e a corresponsabilidade de ambos na criação dos filhos.
“A maternidade está ‘colada’ à ideia de que só a mulher deve assumi-la, mas os cuidados devem ser partilhados também com os homens, que devem dividir o dom da ‘maternagem’ com as mulheres”, assinalou. Ela disse ainda que os países nórdicos, na atualidade, são exemplos de nações que costumam discutir a questão da corresponsabilidade parental, abrindo espaço para que a mulher possa também trabalhar em áreas como, por exemplo, o serviço público, atuando em prol da coletividade.

Logo depois, falou a servidora Ingrid Eduardo, chefe da SECOF, que apresentou o tema de sua tese de doutorado em Direito, intitulada “A Liderança na Justiça Eleitoral: a Política Nacional de Incentivo à Participação Feminina no Poder Judiciário".
Inicialmente disse que “para termos democracia, precisamos ter diversidade”. Enfatizou a questão da liderança na perspectiva de magistradas e servidoras do TRE cearense. Observou que “a política de paridade de gênero no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) não é impositiva, mas programática”, e que “é necessário que haja a paridade nas famílias para que ela se reflita no próprio serviço público.
“Para que eu possa ser líder, preciso de uma estrutura de apoio que me permita estudar. Não podemos perder as oportunidades de lutarmos pelos espaços de poder”, acrescentando que muitas vezes a mulher tem que escolher entre o cuidar e o servir, um processo muitas vezes desafiador para ela. Ingrid ainda apresentou resultados de sua pesquisa, que tem como título “Percepção sobre a chefia no cartório do interior”, informando que esta ainda se encontra disponível e conclamando as servidoras que ainda não participaram dela a fazê-lo.
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A servidora Roberta Laena, coordenadora da EJEC, apresentou o tema “Dilemas da maternidade no serviço público”, destacando que a mulher servidora necessita de uma rede de apoio importante que lhe permita conciliar as funções da maternidade com a de trabalhadora. “Nem todas as mulheres a possuem e muitas vezes as servidoras levam as crianças aos seus locais de trabalho, exatamente por essa falta de apoio”, destacou.
“É preciso naturalizar este espaço de acolhimento para as mulheres. Há milhares delas, no Brasil, que, por exemplo, não podem ter uma babá para cuidar dos filhos pequenos. O maior dilema das mães é: ‘a gente quer cuidar, mas também quer trabalhar, quer servir’, e as pessoas precisam se sensibilizar com essa situação”, acrescentou.
A servidora Rita de Cássia fez a leitura de seu poema, intitulado “Servir”. Durante o evento, várias servidoras apresentaram depoimentos pessoais acerca dos desafios que enfrentaram no exercício dessa condição e, também, como mães. Por fim, houve a entrega de certificados a todas as mulheres que participaram das palestras.
#PraTodoMundoVer
Na primeira imagem, em um ambiente interno da sala de treinamento do TRE-CE, com piso claro e paredes de cor cinza, sete mulheres estão sentadas em poltronas pretas organizadas em linha. Entre elas está a presidente do TRE Ceará, desembargadora Maria Iraneide Moura Silva. Entre algumas poltronas há pequenas mesas redondas pretas com copos de água e papéis. A mulher no centro segura um microfone e fala enquanto as demais olham em sua direção. As participantes usam roupas sociais. Algumas usam óculos. Ao fundo há painéis verticais na parede. À direita há um tapete claro no chão. Na segunda imagem, no hall do TRE-CE, uma mulher está em pé tocando um violino. Ela segura o instrumento com o braço esquerdo e o arco com a mão direita. Ao fundo há um cartaz com o texto “inove se – LIODS” e outras informações sobre envio de ideias e uso do espaço. O cartaz inclui frases como “O LIODS está de portas abertas. Venha conhecer o espaço” e “ideias ganham forma”. À direita do cartaz há um extintor de incêndio fixado na parede com a identificação “T.R.E. CE”. A parede possui revestimento de pequenos azulejos claros. A mulher usa óculos e veste blazer e calça escuros. Na terceira imagem, três mulheres estão sentadas em poltronas pretas em um ambiente interno com parede cinza. A desembargadora Maria Iraneide está ao centro segura um microfone e fala enquanto levanta uma das mãos. Sobre uma mesa redonda preta à frente delas há papéis e um copo de água. Ao lado da mesa há uma bolsa. Todas usam óculos. Na quarta imagem, mostra uma sala com cadeiras plásticas brancas organizadas em fileiras voltadas para a parte frontal. Aproximadamente quarenta a cinquenta pessoas estão sentadas nas cadeiras. A maioria está voltada para a frente da sala. Na parte frontal há um espaço com um painel cinza na parede. À frente dele estão quatro pessoas sentadas em poltronas e uma pessoa em pé falando ao público. Ao lado esquerdo da pessoa que fala há um tripé com câmera ou equipamento de gravação e uma pessoa operando o equipamento. À direita do espaço frontal há uma tela de projeção com um slide exibido. O slide contém texto e elementos gráficos, mas o conteúdo não é legível na imagem. Próximo à tela há um alto-falante e uma planta em vaso. No lado esquerdo da sala há uma porta aberta. A sala possui janelas na parte superior da parede direita. A fotografia foi feita a partir da parte de trás da sala, mostrando o público de costas e a frente do evento ao fundo.

